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Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência
11 Fevereiro, 2026

Assinalamos a 11 de fevereiro o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, uma data promovida pela UNESCO que nos convida a refletir sobre a importância da participação das mulheres na ciência e na tecnologia e o seu papel na construção de sociedades mais justas, inovadoras e sustentáveis.

Ao longo do meu percurso, reconheço que tive o privilégio de crescer num contexto em que, no nosso país, o acesso das meninas e raparigas às áreas STEM é (à partida) possível. No entanto, é ao longo do percurso académico e profissional que as desigualdades tendem a surgir, seja no acesso a oportunidades, na progressão ou na liderança. Num momento em que direitos que tomávamos como adquiridos parecem menos garantidos, importa lembrar que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia não faz sentido se se deixar pessoas para trás. Este texto reflete não apenas a minha experiência, mas também a visão de várias mulheres que contribuem diariamente para o trabalho do Instituto CCG/ZGDV.

Esse contributo assume muitas formas. Para algumas, passa por “construir um futuro mais diverso e inclusivo, sendo parte ativa da mudança na ciência e tecnologia”. Para outras, traduz-se na convicção de que “as mulheres conseguem levar a ciência até ao mercado, ligando conhecimento, inovação e negócio”. Há também quem sublinhe a importância de produzir trabalho de excelência, reforçando que sermos cada vez mais mulheres nesta área é essencial.

A diversidade que trazemos resulta de diferentes percursos, culturas e formas de estar, e é uma verdadeira riqueza para a ciência. Vê-se também na forma como comunicamos e vivemos o conhecimento: “pasión al servicio del conocimiento”. Em contextos mais aplicados, esse impacto torna-se concreto quando “Como mulher e Gestora de projetos de investigação tecnológica aplicados à indústria, contribuo para que ciência e tecnologia se tornem realidade.” É este trabalho coletivo que nos lembra que "Hoje celebramos as mulheres e raparigas na ciência, que transformam ideias em inovações e constroem o futuro do mundo."

Apesar dos avanços, as mulheres continuam menos representadas em cargos de liderança e continuam a enfrentar estereótipos, por vezes subtis. No início da minha carreira, vivi uma situação simples, mas reveladora: eu e um colega, com a mesma idade e qualificações, desempenhávamos as mesmas funções. Ele era tratado por doutor; eu, por menina. Pequenos gestos também contam quando falamos de reconhecimento.

Na nossa área de atuação, das Tecnologias de Informação e Comunicação, tradicionalmente dominada por homens, estes desafios são ainda mais visíveis. Ainda assim, é inspirador termos no Instituto CCG/ZGDV, uma mulher a liderar a nossa direção técnica.

Ser mulher na ciência é ter voz ativa, sustentar e aprender com os pares, promovendo a partilha, o respeito mútuo e a valorização de todos os contributos. O desejo é que um dia estas datas deixem de ser necessárias, não porque deixamos de celebrar, mas porque o género deixa de ser um fator determinante nas escolhas e oportunidades.

Até lá, continuamos juntas/os, com diversidade, compromisso e propósito, a construir um futuro mais justo e inclusivo.

Artigo escrito por Maria Miranda, Business Developer for Health and Medical do CCG/ZGDV Institute, a propósito do Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência.